Pelo que se observa, a ex-chanceler de Israel Tzipi Livni escapou de ser presa na Inglaterra. Ela estava com viagem programada para Londres, a qual foi suspensa na última hora, sob a desculpa de “problemas de agenda”. Com isto as autoridades britânicas suspenderam a ordem de prisão. Indignado, o governo do primeiro-ministro Benyamin Netanyahu chamou o embaixador britânico em Israel para explicações.
Embora não tenham sido explicados os motivos, a ordem de prisão deve prender-se ao fato de a ONU ter acusado Israel e o Hamas de terem cometido “crimes de guerra”, por ocasião do conflito travado entre o final de 2008 e o início deste ano. Israel organizou uma grande ofensiva, encerrada em 17 de janeiro, com objetivo declarado de retaliar o lançamento de foguetes contra o território israelense. Segundo o Centro Palestino de Direitos Humanos, a operação deixou 1.434 palestinos mortos – incluindo 960 civis, 239 policiais e 235 militantes. Já as Forças de Defesa israelenses admitiram ter matado 1.370 pessoas, incluindo 309 civis inocentes, entre eles 189 crianças e jovens com menos de 15 anos.
O ataque levou a diversas acusações de crimes de guerra contra o Exército de Israel e denúncias dos próprios soldados do país. O Conselho de Direitos Humanos da ONU publicou o Relatório Goldstone que afirma que Israel fez uso desproporcional da força e violou o direito humanitário internacional. O texto porém pondera que o lançamento de foguetes pelos insurgentes palestinos também configura crime de guerra. Foi, seguramente, na esteira dessa acusação que Londres emitiu a ordem de prisão para a ex-chanceler israelense e atual líder do partido Kadima, de oposição. O que depõe contra o governo britânico foi essa ordem às escondidas e só contra Tzipi Livni. Que fizesse, então, contra todos os implicados. E dos dois lados.