No caminho para o Irã, o presidente Lula passa pela Rússia. Na pauta com o presidente Dmitri Medvedev, a busca do apoio para a pretenção brasileira de ter um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, o incremento do comércio bilateral, o fim do visto para brasileiros visitarem a Rússia e a questão nuclear do Irã. Este, aliás, é o tema chave da viagem de Lula. Tanto que o governo americano já manifestou ontem que esta é a última oportunidade de diálogo que se oferece para Teerã. Os EUA vem insistindo na aplicação de sanções econômicas ao Irã, enquanto não abrir o seu programa. O Brasil é contra as sanções, por entender que ainda há espaço para diálogo. Esta posição já era compartilhada pela Turquia e agora passa a ser também por Moscou. Embora tenha dado indícios de que pode apoiar nova rodada de sanções, a Rússia ainda vê espaço para negociar, conforme mensagem que transmitiu ontem ao governo brasileiro, na véspera da chegada de Lula a Moscou. Segundo o embaixador brasileiro em Moscou, Carlos Antonio Paranhos, o governo russo acredita que o Brasil tem capacidade de interlocução e credibilidade para conseguir um compromisso que permita um entendimento sobre o programa nuclear iraniano.
Como se vê, a expectativa quanto ao poder de Lula para convencer os aiatolás vai de Moscou a Washington.