Nenhuma das visitas realizadas pelo presidente Lula até agora foi tão polêmica quanto esta a Israel, ontem finalizada. Lula não falou muito, mas passou muitos e significativos recados. Vamos a eles. O presidente brasileiro se negou a visitar o túmulo de Theodor Herzl, o fundador do moderno sionismo. E não teria porque fazê-lo. Visitou, isto sim, o Museu do Holocausto. E aí passou um recado direto para o iraniano Ahmadinejad, que nega a existência do Holocausto. Lula disse que todo dirigente deveria visitar aquele local. Lula passou um outro recado a Ahmadinejad ao defender a existência do Estado de Israel sob fronteiras definidas e seguras. Ou seja, disse para o iraniano que Israel tem o direito de existir, contrariamente ao que prega o fanático dirigente de Teerã. Passou para este mais um recado, ao propugnar pela existência de um Oriente Médio sem armas nucleares. Uma das maiores preocupações de Israel e de países do Ocidente é com a possibilidade de o Irã chegar até a bomba atômica.
Mas, ao mesmo tempo, Lula passou alguns recados a Israel. Na mesma ocasião em que defendeu a existência de um Estado de Israel sob fronteiras definidas e seguras, defendeu também a existência de um Estado Palestino, sob fronteiras definidas e seguras. Algo que Israel não vem querendo encarar. Outro aspecto: na medida em que pediu um Oriente Médio sem armas nucleares, não falou somente para o Irã. Falou para todos os interlocutores da região, o que se inclui Israel. E, segundo consta, Israel, que não é signatário do Tratado de Não-Proliferação Nuclear, possui sua bomba atômica. E, ao chegar na Cisjordânia, Lula criticou o embargo de Israel aos palestinos.
Portanto, a curta passagem de Lula por Israel foi carregada de manifestações políticas.