Barack Obama e John McCain travaram nesta terça-feira à noite, na Universidade de Belmont, em Nashville, no Tennessee, o segundo da série de três debates com vistas às eleições de 4 de novembro. Foi um debate que contrastou com a agressividade que a campanha havia tomado nos últimos dias. Desde sábado, quando a candidata a vice do republicanos, Sarah Palin, acusou Obama de vínculos terroristas, os ânimos esquentaram. Mas o debate foi morno, especialmente, na sua primeira metade. Até pela sua sistemática. As perguntas foram feitas por pessoas comuns, não por jornalistas especializados, e os candidatos não fizeram perguntas de um para o outro.
Assim, falaram da crise financeira, da crise imobiliária, dos problemas energéticos e do seguro saúde. Ambos ofereceram soluções mirabolantes, como acontece com qualquer político em campanha. Rapidamente, surgiram as soluções para todos esses problemas. Foram muitos parecidos os dois candidatos. O que estabeleceu uma pequena diferença foi quanto à questão energética. Ambos usaram a diminuição da dependência energética para minimizar a crise financeira. Só que, McCain quer resolver o problema aumentando a produção de petróleo nos EUA. Ou seja, quer continuar com um produto altamente poluidor. Obama acenou com a energia renovável, embora não tenha qual o tipo.
O debate só esquentou um pouco quando entrou na política externa. McCain acusou Obama, mais uma vez, de não entender de política externa. E Obama aproveitou a deixa para dizer: “Realmente, eu não entendo de política externa, não entendo com fomos deixar o Afeganistão de lado e invadir o Iraque, onde gastamos hoje 10 bilhões de dólares ao mês, dinheiro que poderia estar sendo usado nos EUA”. McCain, como sempre, usou a estratégia de não discutir a razão da invasão do Iraque, mas a forma de retirada das tropas. E veio com uma preciosidade ao afirmar: “eu vou pegar Bin Laden”. Talvez, na mesma ocasião, o sargento Garcia pegue o Zorro.
Agora, o que mais impressiona é a forma como os americanos se vêem. Isto pode ser dimensionado pelas palavras de McCain quando disse: “Vamos trabalhar como pacificadores do mundo. A América é a maior força do bem. Somos pacificadores e mantenedores da paz. Somos uma nação do bem”. Tudo isto para um país que invadiu um outro país, no caso o Iraque, e matou mais de 200 mil pessoas, segundo os números divulgados pela ONU. Isto é ser uma nação do bem?