Conforme o previsto, o presidente Evo Morales conseguiu uma tranquila vitória para o seu segundo mandato à frente do governo da Bolívia. Apesar disto, já se estabelece uma discussão no país em torno da questão reeleição. Morales conseguiu aprovar no início do ano uma nova Constituição para o país, que prevê a reeleição do presidente. Assim, para a oposição, ao ser vitorioso domingo último, ele conseguiu a sua reeleição, com o que, daqui a cinco anos, ao final deste mandato, terá que entregar o cargo. Para Morales, no entanto, o entendimento é diferente. A sua primeira eleição se deu pela Constituição antiga, pela qual ele cumpriu um mandato que não permitia reeleição. Já a eleição deste domingo se deu pela nova Constituição e, como tal, ele tem direito a uma reeleição. Ou seja, pode ficar no poder por mais 10 anos.
É inegável que Morales é uma figura controvertida, da linha de Hugo Chávez. Mas também é inegável que suas ações à frente do governo tem o apoio da grande maioria da população, o que pode ser dimensionado pelo resultado da eleição. Morales fez cerca de 63% dos votos, enquanto que o seu mais próximo seguidor, Manfred Reyes Villa, obteve cerca de 24%. Isto se dá não só pelos programas sociais, que beneficiam estudantes, idosos e mães, mas também pelo equilíbrio nas finanças, o que fez com que em quatro anos a Bolívia duplicasse o seu PIB, que saltou de 9 bilhões de dólares em 2005 para 19 bilhões de dólares este ano. Para completar, as agências reguladoras elevaram a classificação do país e o FMI elogiou a política econômica boliviana como exemplo de prudência e equilíbrio. Portanto, pode-se não gostar do estilo de Morales, mas os resultados que ele vem obtendo são contundentes.