Irene Morgan, a mulher negra que em 1944 se negou a ceder seu assento a um branco em um ônibus em Baltimore e com este gesto mudou a história dos Estados Unidos, morreu na sexta-feira passada, aos 90 anos.
Detida e condenada a uma multa de 100 dólares, seu caso chegou à Suprema Corte americana que, em 1946, deu razão a Morgan, mas a decisão foi ignorada pelos estados do Sul.
Os negros tiveram que esperar até o início dos anos 60 para que o movimento dos direitos cívicos, mobilizado para defender Rosa Parks, outra mulher negra, que em 1955 tomou a mesma decisão em um ônibus, provocasse o fim da segregação oficial em todo os Estados Unidos. Um dos maiores batalhadores para o estabelecimento da igualdade racial nos EUA foi pastor Marthin Luther King. O seu sonho de igualdade se transformou em lei no fim dos anos 1960, porém, na prática, se sabe que a discriminação ainda persiste naquele país.
O incidente protagonizado por Morgan ocorreu em julho de 1944, quando aos 27 anos voltava para casa em Baltimore (Maryland), após visitar sua mãe na Virgínia. Nesta época, a segregação racial vigorava neste estado vizinho a Washington.
Morgan estava sentada no local reservado aos negros quando um casal de brancos subiu no ônibus e o motorista pediu que ela cedesse seu lugar. Diante da negativa, o motorista se dirigiu a uma delegacia e o xerife prendeu a jovem negra.
Em 2001, o presidente Bill Clinton concedeu a Morgan a “Presidential Citizen Medal”, uma das maiores condecorações civis dos Estados Unidos.