Hosni Mubarak continua remando na tentativa de se manter no poder no Egito. Nesta terça-feira, enquanto a multidão realizava uma megamanifestação no centro do Cairo, Mubarak dizia que vai ficar no cargo até a realização de nova eleição. É difícil, porque outro grande protesto está marcado para a quinta-feira. Pressão é grande e o desgaste de Mubarak maior ainda. Não terá como resistir. Até porque a eleição ocorrerá somente em setembro. Perdeu apoio até do seu protetor maior: EUA. Obama já declarou que Mubarak não deveria concorrer novamente. Suleiman, o vice recém nomeado por Mubarak, tentou negociar com os opositores, que não lhe deram bola.
A oposição quer seguir o exemplo da vizinha Tunísia, onde as manifestações populares derrubaram, a 14 de janeiro, o ditador Zine El Abidine Ben Ali, e onde a situação já começa a voltar à normalidade. Apesar do elevado número de vítimas. Segundo o Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, morreram 219 pessoas e 510 resultaram feridas. Porém, o país está voltando à normalidade, segundo o mesmo organismo da ONU.
Na comparação, o número de vítimas fatais no Egito é baixo, porque o exército tem se mantido à margem dos distúrbios. No entanto, já se fala numa insubordinação de militares de baixa patente, que estariam apoiando a ascensão ao poder do Prêmio Nobel da Paz 2005 Mohamed El Baradei. Se isto acontecer, o conflito pode ser grande. Será o custo da intransigência de Mubarak.