E o Prêmio Nobel de Literatura, depois de 20 anos, saiu para a América Latina, através do escritor peruano Mario Vargas Llosa. O anúncio foi feito hoje pela manhã pela Academia Sueca. Ele é conhecido por obras como “A Guerra do Fim do Mundo”, sobre a revolução de Canudos, no Brasil do final do século 19, “Pantaleão e as Visitadoras” e “Conversas na Catedral”. Segundo o comitê do prêmio Nobel, Vargas Llosa foi premiado “pela sua cartografia das estruturas do poder e suas representações incisivas da resistência, da revolta e da derrota do indivíduo”.
Vargas Llosa, feroz crítico de intolerâncias religiosas e militares, foi candidato de centro-direita à presidência peruana, em 1990, defendendo um programa neo liberal. Mas ele perdeu para Alberto Fujimori, que depois chegou a fugir do país e foi condenado por uma série de delitos.
Nascido em Arequipa, Vargas Llosa cresceu em Cochabamba, na Bolívia, antes de voltar em 1946 ao Peru. Ele se mudou para a França em 1959, onde trabalhou como professor de línguas e também jornalista para a imprensa francesa
Vargas Llosa faz parte do ‘boom’ literário latino americano dos anos 1960 e 1970, época que originou correntes como a do realismo mágico. Os últimos latinos americanos a ganhar um Nobel foram o mexicano Octavio Paz, em 1990, e o colombiano Gabriel Garcia Márquez, em 1982. Vargas Llosa recebe, finalmente, o reconhecimento da Academia do Nobel, além de um prêmio de dez milhões de coroas suecas, cerca de 2,3 milhões de reais.