O presidente da Venezuela Hugo Chávez, que decretou o banho de três minutos no país por sua incompetência em fornecer energia, está agora convocando a população para a guerra. Ou seja, está repetindo o que fazem os ditadores: quando a situação econômica vai mal, se acena com uma ameaça externa para acirrar os brios da população e desviar o foco do problema. No seu programa deste domingo por rádio e TV, Alô Presidente, fez um chamamento aos comandos militares, batalhões de milícias, estudantes, mulheres, etc, para não perderem um só dia de treinamento, preparando-se para a guerra. Guerra que, na sua absurda concepção, seria perpetrada pelos EUA através da Colômbia. E aí é de se perguntar: qual o interesse que os EUA tem em atacar a Venezuela neste momento? Um país só vai à guerra quando tem seus interesses prejudicados, o que não é o caso americano, que por sinal segue recebendo o petróleo da Venezuela, que compõe 15% das suas importações. Além do mais, os EUA estão atolados em duas guerras – no Iraque e no Afeganistão – não tendo possibilidade de encarar uma terceira.
Quanto à Colômbia, está já está há 40 anos travando uma guerra interna contra a nefasta narcoguerrilha das Farc. E não seria agora, que está derrotando a guerrilha, que iria desviar suas forças para uma guerra externa.
O fato é que Chávez está afundando a economia da Venezuela. Estatizou empresas, que se transformaram em cabides de emprego, se tornando deficitárias e obsoletas. Inchou a PDVSA, que passou de 40 mil funcionários para 90 mil. E o dinheiro da empresa usa para ajudar seus colegas bolivarianos da Bolívia, Nicarágua e Cuba. A inflação está em 30% e os salários congelados. E as liberdades de manifestação são cada vez mais cerceadas. Tudo no melhor estilo do comunismo do antigo leste europeu, já falido.
Diante disto, só resta então acirrar a população com a suposta ameaça externa. Vale lembrar que aqui na região a última ditadura que fez uma guerra para tentar se segurar no poder, em meio à sua incompetência, foi a Argentina. E seus líderes, felizmente, estão todos presos.