A morte do aiatolá Hussein Ali Montazeri, aos 87 anos, deixa a oposição iraniana mais carente de liderança. Embora o sepultamento do aiatolá, nesta segunda-feira, na cidade sagrada de Qom, tenha se constituído numa grande manifestação contra o regime, segundo as informações procedentes de Teerã. Mais uma vez a imprensa estrangeira teve a sua ação cerceada no país. Não lhe foi permitido acompanhar o enterro do aiatolá, que chegou a ser designado como sucessor de Ruollah Khomeini, o líder da Revolução Islâmica de 1979. Teólogo respeitado, foi um dos líderes da revolução islâmica de 1979 e um dos idealizadores da Constituição da República Islâmica. Considerado o membro da corrente mais liberal e progressista do clero, manifestou oposição ao endurecimento progressivo do regime contra os opositores. Ele foi uma das lideranças expressivas do país a contestar a lisura do pleito que deu a reeleição para o presidente Mahmoud Ahmadinejad.
O candidato derrotado por Ahmadinejad, Mir Hossein Mousavi, convocou a população para um “dia de luto” e pediu que seguissem o exemplo de Montazeri, contestando o regime. O que não é fácil, posto que o regime tem uma polícia especial para reprimir as manifestações. O governo tenta ainda evitar a organização da oposição, ao desligar o serviço de celular e deixar a internet – já censurada – lenta ou completamente parada. A oposição conta principalmente com mensagens de texto e site de relacionamento para se comunicar.
É esse regime que o presidente Lula tem dado apoio.