(Artigo publicado no Correio do povo de domingo, 10/10)
Há um alerta pelo mundo sobre as possibilidades de atentados do terror. Os EUA já fizeram uma conclamação aos seus parceiros europeus para terem os maiores cuidados nesse sentido. E tanto Reino Unido quanto Alemanha já detectaram, através de seus serviços de inteligência, as intenções da Al Qaeda e do Talibã de promoverem atentados em capitais européias. Londres, Paris e Berlim seriam os alvos preferenciais. Aliás, os serviços de inteligência da Alemanha já deram uma prova de eficiência ao desbaratar, em setembro do ano passado, a quadrilha que preparava um atentado no aeroporto de Frankfurt. Segundo as informações, os detidos haviam adquirido material para fazer uma bomba com poder de explosão de 550 quilos de TNT, o que seria suficiente para fazer um estrago maior do que os atentados de 2004 em Madri. Por aí se pode medir a extensão do que seria o estrago e a correspondente importância da ação dos serviços de segurança abortando a operação.
Todavia, o fato deixa explícita a necessidade de uma ação mais contundente de combate ao terror na sua origem. E esta está lá na fronteira do Paquistão com o Afeganistão, na região chamada de Waziristão, onde os dois alemães convertidos ao islã e o turco detidos, que preparavam o ataque em Frankfurt, haviam recebido treinamento. O especialista britânico em terrorismo Ahson Burke, autor do livro “Al Qaeda: a Verdadeira História do Radicalismo Islâmico” (Zahar 2007), diz que nos últimos dois anos os serviços britânicos de informações constaram a existência de uma Al Qaeda reconstruída, muito forte, baseada na fronteira do Paquistão com Afeganistão. E uma Al Qaeda, conforme se constatou ainda esta semana, que conta com presenças até de americanos. A informação traz mais uma vez à tona a constatação já feita, mas sempre importante de ser relembrada: se George Bush, ao invés de se voltar para o Iraque, tivesse levado até o fim o trabalho no Afeganistão, o mundo não estaria hoje vendo ressurgir a Al Qaeda, o Talibã e o seu nefasto terror.
Enquanto o Ocidente está preocupado com os possíveis atentados, lá no Oriente, onde a Al Qaeda e o Talibã têm suas bases, a situação está fugindo ao controle das forças que combatem o terror. Só para se ter uma idéia, de sábado passado a terça-feira, 60 veículos que cruzavam o Paquistão levando suprimentos para as tropas da Otan que atuam no Afeganistão foram incendiados. Na quarta-feira, foram mais 25 veículos que levavam combustível que foram explodidos. Há uma fila de 6 mil veículos com abastecimento para a Otan parados no Paquistão, por falta de condições para seguir adiante. Duros golpes impostos às forças que tentam dar apoio ao governo do Afeganistão, que está ameaçado de ser tragado pelo Talibã.
Aliás, segundo informação da BBC, diante de todas essas dificuldades o governo do Afeganistão estaria tentando negociar com o Talibã um acordo de paz. Negociação que teria o apoio do general Petraeus, comandante das forças da Otan na região. Não deixa de ser um caminho. Nos tempos recentes, britânicos, russos e americanos tentaram estabelecer o seu domínio sobre o Afeganistão, mas não conseguiram. O sistema tribal imperante, as tortuosas e inóspitas montanhas com suas cavernas e uma cultura completamente diferente, se constituem em fatores adversos para qualquer dominação. Assim, para não acontecer um novo Vietnã, o melhor mesmo seria um acordo.
Mas, a propósito, o controle ao terrorismo nos aeroportos está gerando uma situação no mínimo polêmica. Ocorre que a Al Qaeda anunciou que os seus terroristas suicidas estariam usando artefatos explosivos em supositórios para burlar a vigilância nos aeroportos e embarcar nos aviões de carreira. Pois já houve a reação imediata, com o uso da tecnologia, para combater essa ação. No entanto, essa reação está causando alguns problemas de ordem moral. No aeroporto de Manchester, no Reino Unido, foi desenvolvido um aparelho que mostra o passageiro nu, ressaltado qualquer objeto que tenha no corpo, como um pearcing, por exemplo. Segundo a administração do aeroporto, as imagens não são pornográficas ou eróticas, são vistas apenas por um funcionário, um homem para o caso dos homens, uma mulher para examinar as mulheres, não aparecendo o rosto e as imagens sendo destruídas logo após o exame. Ainda de acordo com a administração do aeroporto de Manchester, há a vantagem de as pessoas não precisarem tirar casaco, cinto e nem de serem tocadas. Convenhamos que, em se tratando de combate ao terror, só há vantagens.