O presidente Obama se antecipou à Cúpula das Américas e anunciou ontem a tão esperada liberação de viagens e envio de dinheiro a Cuba. A medida era esperada inicialmente para ser anunciada por ocasião da reunião de líderes de 34 países das Américas que acontece a partir desta sexta-feira em Trinidad e Tobago. Acontece que o Departamento de Estado norte-americano deixou transpirar que os EUA não querem que Cuba seja tema do encontro. Daí a antecipação do anúncio. Os americanos e cubanos residentes nos EUA, que antes só podiam viajar a Cuba a cada três anos, a partir de agora podem viajar anualmente. Também podem enviar dinheiro, roupas, sementes, etc.
No entanto, Obama tomou uma outra medida que pode sacudir o regime cubano, notório pelo controle da comunicação. É sempre bom ressaltar que em Cuba só funcionam uma emissora de TV, que é do Estado. Alguns emissoras de rádio, do Estado. Um jornal, o Granma, do Partido Comunista, e o seu apêndice, o Jornal da Juventude Comunista. Em qualquer ponto da ilha não se encontra um outro jornal, de qualquer país que seja. Nem no aeroporto. Não existe banca de jornais. Multiplicam-se as livrarias, mas só com os ícones do comunismo revolucionário, Fidel Castro, Camilo Cienfuegos, Che Guevara, etc. Pois Obama decidiu autorizar empresas de telecomunicações e outras empresas americanas a disponibilizar serviços de telefonia celular, televisão e rádio para cubanos. O projeto prevê que americanos paguem pelos serviços que serão prestados para parentes, em Cuba. Cerca de 1,5 milhões de cidadãos americanos têm familiares na ilha.
Ou seja, Obama quer permitir que os cubanos se comuniquem com o mundo externo, burlando a vigilância do regime que parou no tempo, como os carros dos anos 40 e 50 que circulam pelas ruas de Havana.