O presidente da Autoridade Nacional Palestina Mahmoud Abbas chega ao Brasil, porém a polêmica maior não se dá em torno dele, mas do presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad, que chega na segunda-feira. E não poderia ser diferente. Abbas é um moderado, Ahmadinejad um radical. Mas os dois estão inseridos no diálogo com o Brasil, que quer desenvolver uma papel de mediação no Oriente Médio. Esta mediação, logicamente, não será tanto para a questão Israel-Palestina, mas muito mais para com o Irã. E isto porque o presidente Lula tem o incentivo do presidente Barack Obama para dialogar com Ahmadinejad. O presidente americano quer resolver a questão nuclear iraniana através do diálogo. E para isto conta com Lula, dirigente que tem livre trânsito em qualquer esfera, tem grande poder de persuasão e que representa um país em franca ascensão.
Israel e os republicanos norte-americanos não querem saber de diálogo com Ahmadinejad. Por eles, já tinham bombardeado as usinas iranianas. Obama já tem duas guerras com que se preocupar. Não quer mais uma. Quer negociar. E, além do mais, o Irã pode ser uma aliado importante para resolver ou ao menos minimizar os problemas de Iraque e Afeganistão. Todavia, israelenses e republicanos não só não aceitam o diálogo de Obama com o iraniano, assim como também não aceitam que Lula o esteja recebendo. “O Brasil não deve seguir os passos de Hugo Chávez e se aliar com o líder iraniano Mahmoud Ahmadinejad”, declarou o senador Connie Mack, da Flórida. Esta é a visão distorcida dos fatos. Como se conversar fosse se aliar. A propósito, Lula conseguiu manter uma boa relação tanto com Hugo Chávez como com George Bush, os dois opostos na região. E é nessa habilidade de Lula que Obama aposta, para convencer o Irã a abrir o seu programa nuclear.