A declaração do primeiro-ministro de Israel Ehud Olmert, dizendo que “nunca esteve tão próximo um acordo entre israelenses e palestinos”, merece algumas considerações. A primeira delas, consiste na avaliação das condições existentes para tal acordo. Se analisarmos as relações entre o governo de Israel e a Autoridade Nacional Palestina, podemos concordar que existe uma aproximação muito grande. Ehud Olmert e Mahmmoud Abbas mantém uma boa relação, convergem em muitos pontos, mas divergem em algumas coisas básicas, como por exemplo, a retirada das colônias judaicas da Cisjordânia e a entrega de Jerusalém Oriental para ser a capital do futuro Estado Palestino. Mas, até aí, tudo ainda é contornável. Se poderia fazer um acordo com base nos pontos que são consenso entre as partes.
O problema, no entanto, está entre os próprios palestinos. Abbas exerce liderança sobre os palestinos do Fatah, que vivem na Cisjordânia. Mas não apita nada sobre os palestinos do grupo religioso radical Hamas, que vivem na Faixa de Gaza, onde Abbas sequer consegue entrar. E um acordo que não contemple este contingente não tem a mínima possibilidade de prosperar.
Então, porque Olmert está falando nessa possibilidade tão próxima de acordo? Trata-se apenas de uma estratégia do primeiro-ministro de tentar desviar as atenções das acusações que sofre por corrupção. Ocorre que Olmert já vem sendo investigado há algum tempo por crime eleitoral, caixa dois, mais especificamente. A situação se complicou em fins de maio, quando o milionário americano Morris Talansky disse, em depoimento em Jerusalém, que ao longo de 15 anos ele entregou 150 mil dólares a Olmert, como forma de empréstimos, que nunca foram pagos.
Assim, falar em acordo com os palestinos serve de anteparo para essas investigações.