A pergunta mais insistente hoje se refere ao que irá mudar na França com a posse de Nicolas Sarkosy. Pois, à primeira vista, não muda muito. Ele foi integrante do governo conservador de Jacques Chirac e a tendência é dar continuidade à política que está sendo posta em prática. Esta política diz respeito, basicamente, ao processo de integração da Europa, o qual é capitaneado pela França e pela Alemanha. Esse processo é uma realidade absoluta, tanto que já envolveu a maior parte dos países do leste, que antes orbitavam em torno de Moscou.
Mas há as questões internas. E essas dizem respeito a dois temas específicos: imigração e desemprego. Dois temas difíceis. Contrariando a vontade dos franceses, a cada dia entram novos contingentes de imigrantes, vindos especialmente da África. Vêm aumentar o contingente de desempregados e, por extensão, a miséria e a violência, que se refletiram, inclusive, no pós eleição. Para atacar o problema, Sarkosy fala em criar uma Organização do Mediterrâneo. Pelo que já transpareceu, essa organização terá um papel semelhante ao que o Nafta está desempenhando no que toca a EUA. Ou seja, a entidade incentiva o estabelecimento de empresas estadunidenses no México, como forma de gerar emprego naquele país e impedir que os mexicanos cruzem a fronteira em direção aos EUA. Pois o objetivo da OM será incentivar empresas não só francesas, mas européias de um modo geral, a se estabelecerem na África, para lá gerarem emprego. Afinal, o problema da migração não é só francês, é da Europa em geral.
O detalhe a considerar, é que esse tipo de ação leva um bom tempo até se concretizar e a França tem problemas internos urgentes a resolver. Ou seja, além da Organização do Mediterrâneo, Sarkosy precisa de outro tipo de programa, para que possa ser, como ele se intitulou, presidente de todos os franceses.