Parece que os dirigentes do Oriente Médio acreditaram na proposta que o presidente Lula fez meses atrás de colocar o Brasil de mediador do conflito na região. Isto porque, os principais dirigentes da região resolveram visitar o Brasil. Nesta semana está aqui o presidente de Israel Shimon Peres que, por sinal, em seu discurso no Senado lançou mensagens conciliadoras para palestinos e sírios. No dia 23 deste mês deve chegar ao país o controvertido presidente do Irã Mahmoud Ahmadinejad. E agora tem-se a informação de que o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, também vem ao país, devendo aqui chegar no dia 20, portanto, três dias antes de Ahmadinejad.
Se todos virem com a mensagem de Shimon Peres quem sabe até seja possível uma aproximação entre essas partes tão divergentes. O presidente israelense, que na chegada elogiou o Brasil como símbolo da paz, dirigiu-se ontem diretamente ao presidente da ANP, Mahmoud Abbas, pedindo que recue da decisão de não se candidatar à reeleição em janeiro e que volte às negociações. Peres, assim como todos que anseiam pela paz na região, sabe que a busca desse objetivo, se já é difícil com Abbas, ficará muito pior sem ele. No entanto, para que ele mude de posição, será preciso que Israel deixe de lado o seu programa de assentamentos na Cisjordânia e, principalmente, em Jerusalém Oriental. Aliás, este pode ser um tema para diplomacia brasileira ir tratando com Peres, se quiser mesmo que o país atue como mediador.
Até porque, depois disto estará chegando aqui o presidente do Irã, e aí tudo ficará mais difícil.