Os 198 anos de independência da Colômbia, celebrados neste domingo, serviram para a realização de manifestações pelas mais diversas partes do mundo, pedindo a libertação dos quase 3 mil reféns que existem na Colômbia. O presidente Lula, que compareceu aos festejos em Bogotá, se associou ao pedido de liberdade. E até defronte a Casa Branca, em Washington, houve manifestação.
Os manifestos por libertação dos que ainda estão cativos se acentuaram depois do resgate de Ingrid Betancourt e das revelações dela sobre as péssimas condições dos que estão em cativeiro. Se acentuam também, na medida em que o governo de Álvaro Uribe vai ganhando força e, paralelamente, a guerrilha vai perdendo. As Farc perderam quatro importantes líderes nos últimos meses. A começar por Mario Marulando, o número um, que morreu de infarto; seu sucessor imediato, Raúl Reyes, foi executado na floresta do Equador; Ivan Rios, outro líder proeminente, foi executado por seu guarda-costas e a comandante guerrilheira de codinome Karina se entregou.
Em entrevista à Folha de São Paulo neste domingo, o jornalista colombiano Carlos Lozano, diretor do semanário esquerdista “A Voz”, que já foi mediador do conflito entre as Farc e o governo, defende que a guerrilha apresente publicamente uma proposta de paz, como forma de confrontar a opção militarista do governo Uribe. Pois, se um notório defensor das Farc chega ao ponto de fazer semelhante proposto, é porque a situação da guerrilha está mesmo insustentável.