O Haiti foi o primeiro país das Américas, depois dos EUA, a conquistar a independência. Isto aconteceu em 1804 e o movimento independentista foi uma revolta dos escravos, que compunham 80% da população e que produziam o café, cacau e açúcar que eram exportados. Os escravos conseguiram derrotar o exército francês e se tornarem um povo independente. Este fato, no entanto, se por um lado se constituiu numa vitória dos escravos, por outro, determinou o isolamento do país, por parte dos setores dominantes do comércio. Não queriam que o exemplo proliferasse. Este fato é lembrado pelo professor de História da UFRJ Manolo Florentino. Ele cita que outro exemplo de vitória dos escravos deu-se na ilha de São Thomé, atual São Thomé e Príncipe, ex-colônia portuguesa na África. Diz o professor que “no mundo colonial, os dois casos resultaram na destruição do sistema de plantações e no estabelecimento de economias camponesas, com uma sucessãode governos de ex-escravos. Ou seja, viraram economias camponesas miseráveis e, no caso do Haiti, virou na cleptocracia da ditadura Duvallier.
AJUDAS
O chanceler Celso Amorim manifestou o descontentamento do governo brasileiro com a acanhada ajuda monetária que está sendo oferecida ao Haiti por alguns países ricos. Enquanto o Brasil destinou 15 milhões de dólares para o auxílio às vítimas do terremoto, o Canadá, que faz parte dos 7 países mais ricos do mundo, mandou 5 milhões. Mas o pior é a União Européia, hoje composta por 27 países, que estaria destinando apenas 3 milhões de euros, o que significa praticamente o mesmo que o Canadá está dando. Não é bem isto. Só a Grã-Bretanha está mandando 10 milhões de dólares. Mas não deixa de ser uma forma de cobrar mais ajuda por parte de quem tem mais.
Quem está à frente disparado na ajuda é o governo dos EUA, que está mandando 100 milhões de dólares. Aliás, o presidente Barack Obama connversou ontem, por telefone, com o presidente Lula, sobre os esforços conjuntos para ajudar o Haiti.
Pois esses esforços tem que ser até na administração do dinheiro arrecadado. Isto porque, os haitianos estão se queixando que estão sem governo. E não é para menos, o presidente René Préval fez um pronunciamento dramático, dizendo que não tinha casa para morar e nem palácio para governar, porque ambos foram destruídos. Por isto, urge uma ação da ONU no sentido de controlar a aplicação dos recursos que chegam ao país. Caso contrário, vamos ter a repetição do que é histórico, não só no Haiti, mas em toda a América Latina, a mal versação dos recursos, que acabam nas contas daqueles que manipulam as doações.