A Rússia, sob Vladimir Putin e agora com ele e mais Dmitri Medvedev, vem desenvolvendo uma ação intensa com vistas a recuperar a sua influência no cenário internacional. Essas ações se desenvolvem tanto na área política como na militar. Basta ver a recente guerra desfechada contra a Geórgia. Agora, o país faz mais uma investida forte, na busca de uma parceria importante, a da Europa. Para isto, tratou antes de sair da Geórgia.
O presidente Dmitri Medvedev lançou a idéia de um tratado internacional de segurança, “baseado no princípio da inadmissibilidade do uso da força”. O projeto, que foi apresentado ao presidente francês Nicolas Sarkozy, na cidade francesa de Evian, não é novo. Já fora apresentado por Vladimir Putin, no ano passado, em Munique. O seu objetivo principal é neutralizar o avanço dos Estados Unidos em direção à sua antiga área de influência. Aliás, Medvedev criticou duramente os EUA, em razão da sua “determinação de reforçar sua dominação global”.
Medvedev fez uma colocação contundente, que revela o estilo Bush de governar. Disse que o governo norte-americano perdeu a oportunidade proporcionada pelo 11 de setembro de construir relações internacionais harmônicas e baseadas na democracia. Criticou o unilateralismo da invasão do Iraque e ainda o projeto do Pentágono de construir na Polônia e na República Tcheca um escudo antimísseis. Não se pode esquecer que, dos atuais 26 integrantes da Organização do Tratado do Atlântico Norte, 10 são da antiga área de influência soviética. E a Otan trabalha com a possibilidade de adesão da Geórgia e da Ucrânia, o leva o Kremlin a se sentir cercado. Daí a reação.
Mesmo diante de todas as explicações de Medvedev, Sarkozy, que está na presidência da União Européia, disse acreditar no plano, mas que o mesmo não pode ser implementado sem o acordo explícito e a participação dos EUA.
E é claro que hoje, sob o governo Bush, isto não acontecerá. Porém, se Barack Obama assumir a presidência dos EUA, se poderá pensar no acordo proposto pela Rússia, que é para ir de Vancouver, no Canadá a Vladivostok, na Rússia, englobando a Otan e a Organização para Segurança e Cooperação na Europa. Afinal, a era Bush, felizmente, está acabando.