Uma das questões mais intrigantes da operação de resgate de Ingrid Betancourt é sobre o seu desenvolvimento na selva, tendo em vista que, contrariando qualquer outra operação do gênero, não houve o disparo de um tiro sequer. Pois agora vem a informação da Rádio Suíça Romanda (RSR) de que “os 15 reféns foram comprados na realidade a preço forte. Depois disso toda a operação foi uma encenação”. A rádio pública firma que quase 20 milhões de dólares foram entregues aos seqüestradores e cita uma “fonte ligada aos acontecimentos, confiável e testada em reiteradas ocasiões nos últimos anos”. A emissora acrescentou que os EUA estiveram na “origem da transação”.
Bem, que os EUA tenham estado presentes não é novidade. Desde 2002 desenvolvem o Plano Colômbia, no qual já descarregaram 5,5 bilhões de dólares. Valor que faz se tornar insignificantes os 20 milhões de dólares que teriam sido utilizados para subornar a guerrilha. Dentro do complexo quadro colombiano, tudo isto é possível. A indagação, no entanto, que fica é sobre os guerrilheiros subornados. Eles não poderiam continuar lá na selva, porque seriam executados pelas Farc, a quem traíram. Então, teriam sido retirados da selva? Em que momento? Para onde foram levados? Estariam entre eles os dois guerrilheiros que foram trazidos junto com os reféns, um dos quais atende pelo codinome de César?
Enfim, só o passar dos dias irá ajudar a desvendar os segredos dessa tão bem sucedida operação.