(Artigo publicado no Correiro do Povo de domingo, 08/08)
O presidente Barack Obama determinou a saída, em termos, das tropas americanas do Iraque para 31 de agosto. Digo em termos, porque 50 mil soldados ainda permanecerão no país. E isto é contingente representativo para qualquer guerra. O fato é que embora Obama fale em fim da guerra, esta continua. Basta acompanhar os números do mês de julho. Morreram 396 civis, 50 soldados iraquianos e 89 policiais. Isto somente em julho, porque desde o início da guerra, em março de 2003, o número de civis iraquianos mortos beira os 600 mil, segundo dados da ONU. Do lado americano são mais de 5 mil soldados mortos. E os atentados seguem acontecendo quase todos os dias. Os gastos ultrapassam 700 bilhões de dólares. Então, para a nação americana, assim como para a iraquiana, a guerra é uma catástrofe. Porém, evidentemente, tem alguém ganhando com o conflito. E quem ganha, é lógico, é o setor que levou o então presidente George Bush a declarar a guerra, ou seja, o petrolífero.
É sempre bom lembrar que existe uma diferença profunda entre a guerra no Afeganistão e a guerra no Iraque. A do Afeganistão era necessária. Era lá que estava Bin Laden, o autor intelectual dos atentados do 11 de setembro de 2001. Era lá que estavam os terroristas da Al Qaeda, responsáveis pelos atos. Todos sob a proteção do nefasto regime do Talibã. Então, era para lá que as forças dos EUA deveriam se dirigir, como realmente o fizeram. O problema é que antes de acabar o serviço, ou seja, liquidar o Talibã, a Al Qaeda, Bin Laden, etc, Bush se voltou para o Iraque, sob a alegação de que aquele país possuía armas de destruição em massa. Os inspetores da ONU foram para lá para verificar se era verdade. Porém, antes que concluíssem o seu trabalho tiveram que sair correndo, sob pena de levar bomba pela cabeça, porque Bush mandou atacar. Afinal, quem estava no poder lá era o ditador Saddam Hussein e, com isto, muita gente boa acabou marchando e dando apoio a Bush, embora a contestação da ONU, que queria concluir sua investigação antes de qualquer decisão de ataque.
Segundo Instituto Brookings, um organismo independente sediado em Washington, o petróleo iraquiano representa hoje uma das únicas áreas onde os EUA atingiram seus objetivos no país. Já no final de 2004, os norte-americanos alcançaram 88% da meta estabelecida para a produção e passaram a obter uma receita média de 1,5 bilhão de dólares ao mês com o petróleo. Enquanto isto, os iraquianos têm um fornecimento de energia elétrica pior do que em julho de 2003, quando encerram-se os combates. Há apagões diários por cerca de 6 horas. E para abastecer seus carros, os iraquianos têm que esperar pelo menos 4 horas na fila e pagar por uma gasolina que vem do Kuwait. Os poços petrolíferos iraquianos jorram 2,5 milhões de barris/dia, sendo que a empresa mais beneficiada com a venda do produto é a Halliburton, que era presidida por Dick Cheney até ele se afastar para assumir a vice-presidência do país. O Iraque está produzindo hoje o mesmo que produzia antes da guerra. Porém, há sete campos, com reservas estimadas em 44 bilhões de barris, ou seja, mais de um terço das reservas totais do país, que podem ser aproveitados. Como o governo iraquiano já traçou a meta de produzir 6 milhões de barris/dia dentro de cinco ou seis anos, as perspectivas que se abrem para as petroleiras são enormes. Já o custo da guerra quem paga é o cidadão americano.