O presidente Lula tem a partir de hoje um grande teste para a sua pretensão de tornar-se um mediador em busca da paz no Oriente Médio. Isto porque está chegando ao país o controvertido presidente do Irã Mahmoud Ahmadinejad. A chegada do iraniano já foi antecedida de protestos, por parte de entidades judaicas, de homossexuais, de direitos humanos, etc. Ou seja, de segmentos dicriminados pelo líder iraniano. Aliás, em uma entrevista concedida para uma emissora de televisão brasileira, Ahmadinejad remodelou o seu posicionamento com relação ao Holocausto. Agora, ele não negou o episódio, como fizera anteriormente, mas disse que o Holocausto aconteceu na Europa e que os palestinos é quem acabaram pagando a conta.
Mas Ahmadinejad vem aqui para negociar a questão nuclear. À primeira vista, algo absurdo. Se dependesse de Israel, as usinas iranianas já tinham sido bombardeadas. Na prática, o Irã tem tanto direito quanto o Brasil de usar a energia atômica para fins pacíficos. Assim como temos Angra, eles podem ter a sua de Qom. O Irã, como o Brasil, é signatário do Tratato de Não-Proliferação Nuclear. Toda a questão, no entanto, está no acompanhamento das atividades por parte da Agência Internacional de Energia Atômica. E mais, como o governante iraniano não é confiável, o Ocidente está exigindo ainda que o Urânio iraniano não seja enriquecido no país, mas na Rússia e na França. Aliás, proposta neste sentido aguarda resposta do governo de Teerã.
E aí é que vem o papel de Lula. Se ele conseguir convencer Ahmadinejad a aceitar essa proposta, terá marcado o seu primeiro gol nesse novo jogo em que está se metendo. E, diga-se de passagem, será um gol de placa.