Daqui a pouco o presidente Bush estará indo embora e muitas especulações estarão sendo feitas em torno do resultado de sua viagem. Estes, evidentemente, não serão sentidos de imediato. Até porque em um encontro tão breve, como o de hoje, não se pode chegar a grandes decisões. Mas, os próximos meses são cruciais para esses resultados. E eles envolvem dois temais cruciais: o do etanol, que é tido como o ponto fundamental das negociações de Bush no Brasil, e o avanço da influência de Hugo Chávez na região, motivo do pacote de auxílio para a América Latina, lançado por Bush nesta terça-feira.
Cabe agora ao governo brasileiro saber tirar proveito desse duplo objetivo do governo americano. Isto dependerá das negociações que se seguirão quanto à redução das tarifas impostas ao etanol brasileiro para entrar no mercado americano, e também da ação do presidente Lula no sentido de neutralizar o avanço de Chávez. A questão das tarifas podem acabar com as discussões que se darão no âmbito da Organização Mundial do Comércio. Ali está o foro para essas decisões e que poderão abrir caminho para o mundo ao etanol brasileiro.
Quanto a Chávez, sabe-se que Lula não irá bater de frente com ele. Aliás, nem foi esta a política que os assessores da Casa Branca recomendaram a Bush para negociar com o presidente brasileiro. Mas Lula pode e deve, assumir uma posição forte em defesa das instituições democráticas. Como, inclusive, prevê o documento de criação do Mercosul. Para ser membro do organismo é preciso estar sob democracia plena. E a Venezuela, mais novo membro do Mercado Comum do Sul, está sob um regime de exceção, em que o presidente governo por decreto.
Em suma, o resultado positivo para o Brasil do encontro de hoje vai depender das ações do presidente Lula.