Como era de se esperar, a popularidade do presidente colombiano Álvaro Uribe, que já era de 80%, subiu ainda mais e está nos estratosféricos 91%, segundo a mais recente pesquisa de opinião, feita pela empresa privada Ipsos-Napoleón Franco. A mesma consulta indica que as intenções de voto em Uribe também aumentaram com o resgate, de 69% para 79%, caso ele decida se candidatar para um terceiro mandato de quatro anos a partir de 2010. Ao mesmo tempo, a presidente do Chile Michele Bachelet anuncia que quer convidar Uribe a visitar o seu país e que pretende indicar o seu nome para o Prêmio Nobel da Paz. Convenhamos que, com tudo isto, ficará muito difícil para Uribe resistir aos que querem uma mudança constitucional para que ele se candidate a um terceiro mandato. Como se observa, ele não precisará nem fazer campanha para vencer um novo pleito, mas terá que passar por cima dos preceitos democráticos, mudando o jogo durante o seu andamento e imitando o seu maior oponente na região, Hugo Chávez. Este mudou a constituição para se eleger pela terceira vez, gostou e quis mudar mais uma vez para se reeleger indefinidamente. Mas aí a população venezuelana deu-lhe um basta. Uribe, se quiser, leva o terceiro mandato.
Mas, por falar em campanha, quem parece estar de corpo e alma numa é Ingrid Betancourt. É surpreendente que uma pessoa que tenha passado mais de seis anos em cativeiro na floresta, que se mostrava debilitada, tão pronto seja resgatada tome um avião para fazer uma desgastante viagem intercontinental para a França. E, lá chegando, tenha cumprido uma intensa agenda de atividades. Bem, não se pode esquecer que, quando ela foi seqüestrada, em 2002, ela estava em campanha para a presidência da República. Agora, ela pode estar simplesmente retomando sua campanha. Só que, agora, num contexto diferenciado em função de sua dupla cidadania e de todo o seu envolvimento com a França. Ela até poderá escolher em que país concorrer. Na Colômbia, se Uribe não concorrer, ela ganha fácil. E na França, é lógico que não iria ter a pretensão da presidência, mas um cargo no Parlamento lhe seria plenamente assegurado. Em suma, o que se percebe nesses poucos dias é de que Ingrid quer recuperar o tempo perdido na selva.