Finalmente, Brasil e EUA conseguiram uma convergência. Os dois países vinham batendo de frente nas questões de Honduras e do Irã, porém, graças à presença em Brasília do secretário-assistente para Assuntos do Hemisfério Ocidental dos EUA, Arturo Valenzuela, as divergências se aplacaram.
No caso de Honduras, inicialmente, Brasil e EUA entendiam que houve um golpe de Estado no país e que Manuel Zelaya deveria ser restituído à presidência. O que acabou não acontecendo. Deram-se as eleições que apontaram Porfírio Lobo como vencedor, devendo assumir o governo a 27 de janeiro. Os EUA reconheceram o pleito como válido, porém o Brasil não reconheceu. Nesta segunda-feira, no entanto, Valenzuela sentou-se frente à frente com o assessor internacional do presidente Lula, Marco Aurélio Garcia, e a situação começou a mudar. Chegaram a um consenso de que a eleição de Lobo à presidência foi um passo necessário mas insuficiente para a solução da crise no país. Os demais passos implicam na saída do cargo de Roberto Micheletti e na saída do país, em segurança, do presidente deposto Manuel Zelaya.
O fundamental será a saída de Micheletti da presidência, pois este insiste, não só em conduzir o país até a posse de Lobo, como se nega a conceder um salvo conduto para Zelaya deixar o país. Quer que Zelaya peça asilo político. Ele não quer fazer isto, por entender que estaria abdicando da sua condição de presidente. E Micheletti ainda exige que Zelaya não fique em nenhum país centro-americano. Ou seja, é um golpista que segue querendo ditar ordens, ao invés de renunciar para facilitar a transição para o retorno à democracia. Mas agora, como Brasil e EUA mais uma vez estão convergindo, ele não terá como resistir.
Quanto ao Irã, Valenzuela demonstrou uma moderação maior que a da sua chefe, a secretária de Estado Hilary Clinton. Esta ameaçou os países latino-americanos que mantém proximidade com o regime de Teerã, de que podem sofrer “consequências” em decorrência disto. Valenzuela minimizou a declaração de Hilary e ressaltou a política que o governo Obama vem desenvolvendo com o Irã, tentando manter o máximo de diálogo com aquele país. O que enfatizou que tem sido difícil, mas que irão continuar insistindo. O que é verdade. Obama segue oferecendo a oportunidade de o Irã ter, como quer, o seu programa nuclear para a geração de energia, mas sob o controle da comunidade internacional. Valenzuela não cobrou do Brasil aquilo que o presidente Obama esperava que fizesse por ocasião da visita de Ahmadinejad: que Lula intercedesse para que o iraniano aceitasse o envio de seu urânio para ser enriquecido na Rússia e na França. Lula, na ocasião, não tocou nesse assunto.
Valenzuela também aproveitou para tocar num outro assunto polêmico: as bases dos EUA na Colômbia. Lembrou o comunicado mandado ao Itamaraty, que confirmou o seu recebimento, onde os EUA asseguram que nenhum soldado ou equipamento sairá da fronteira colombiana.
E para não fugir à regra, Valenzuela, em encontro com o ministro da Defesa Nelson Jobim, aproveitou para fazer lobby para a americana Boeing na disputa pelo fornecimento de 36 novos caças à FAB. Negócio de 10 bilhões de reais, que deve ter solução em 2010.